
Entre os dias 15 e 18 de julho, a comunidade de Taracuá, no baixo rio Uaupés, foi palco do Encontro de Saberes das Mulheres Indígenas: Criatividade e Economia no Artesanato do Rio Negro. O evento reuniu mais de 60 artesãs de diferentes regiões — Baixo Uaupés, rio Tiquié, seus afluentes e o distrito de Iauaretê — em uma grande roda de trocas intergeracionais, saberes tradicionais e estratégias para fortalecer a produção e a comercialização do artesanato indígena.
A iniciativa foi promovida pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), por meio do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN), e contou com o apoio do Departamento de Adolescentes e Jovens do Rio Negro (DAJIRN), do Departamento de Negócios Socioambientais, e das coordenadorias COIDI e DIAWI’I.
Durante os quatro dias de atividades, os debates se concentraram na valorização das práticas culturais, na autonomia econômica das mulheres, jovens e adolescentes indígenas e na qualificação da produção artesanal — com foco na cerâmica, no trabalho com tucum e na fibra de arumã, materiais fundamentais nas expressões artísticas e no cotidiano dos povos da região.
O encontro também destacou a trajetória das mulheres artesãs que, desde os anos 1990, vêm se organizando em associações como a AMIRT (Associação das Mulheres Indígenas Rio Tiquié), que transformam o saber ancestral em fonte de renda, autonomia e sustentabilidade.
Para Cleocimara Reis, do povo Piratapuya e coordenadora do DMIRN, o encontro representou um passo importante no fortalecimento das redes de mulheres artesãs do território.
“Foi o primeiro encontro conjunto das duas coordenadorias, e elas gostaram muito. A experiência foi positiva e nos mostra que é preciso dar continuidade a esses processos de valorização cultural e econômica”, afirmou.
O evento contou com o apoio da organização MISEREOR, parceira histórica da FOIRN em ações que promovem o protagonismo das mulheres indígenas e iniciativas voltadas à sustentabilidade na região do Rio Negro.