Mulheres Indígenas e Rionegrinas na COP28: Um Marco de Reconhecimento e Empoderamento

Mulheres indígenas reunidas Foto: Reprodução

A participação das mulheres rionegrinas na COP28, realizada em Dubai em 2023 foi um evento de grande importância, e o reflexo de uma luta que vem ganhando força ao longo das décadas. Pela primeira vez, a delegação brasileira foi liderada por uma mulher indígena, Sônia Guajajara, e a conferência contou com a maior delegação indígena da história, com forte presença das lideranças do Rio Negro. Esse marco é uma vitória significativa, mas também um sinal de que a luta das mulheres indígenas está apenas começando.

A Representatividade na COP28: Mais que um Símbolo

Ter mulheres indígenas ocupando espaços de decisão, como a COP28, é um passo crucial para a visibilidade das nossas causas e para o reconhecimento do trabalho feito em nosso território. Josimara Baré, coordenadora do Fundo Indígena do Rio Negro (FIRN), foi uma das representantes que levou para a conferência o modelo de gestão direta de recursos pelas comunidades indígenas, uma alternativa eficaz para o financiamento climático. Sua presença, junto a outras lideranças do Rio Negro, mostra que além de marcar presença, as mulheres indígenas podem, sim, ocupar espaços de debate com competência e autoridade. Este é um avanço, mas também um lembrete de que o lugar das mulheres indígenas deve ser garantido em todas as esferas de poder, não como um favor, mas por direito.

Essas vitórias não surgem do nada. O trabalho realizado dentro das comunidades indígenas, especialmente por mulheres, já é antigo e fundamental, mas a visibilidade conquistada pela COP28 abre novos horizontes, ampliando as possibilidades para as futuras gerações. A participação das mulheres indígenas, como Josimara, Sônia e tantas outras, é um reflexo de um esforço coletivo que, agora, tem ganhado espaço globalmente.

Reconhecimento na Mídia: O Prêmio Mulher Imprensa de Elizângela Baré

Fora da COP28, outro exemplo marcante de reconhecimento foi o prêmio recebido por Elizângela Baré, liderança da Terra Indígena Cué-Cué/Marabitanas. Ela foi uma das vencedoras do Troféu Mulher Imprensa 2023, destacando-se na categoria “Programa de Podcast de Jornalismo”. Esse prêmio não apenas celebra seu trabalho como jornalista e apresentadora da Rádio Sumaúma, mas também coloca a mídia indígena em um espaço central no debate nacional. Elizângela, ao lado de outras mulheres indígenas que vêm quebrando barreiras, como Luciene Kaxinawá, está ajudando a construir uma nova narrativa sobre os povos indígenas, onde suas histórias, perspectivas e realidades são amplamente compartilhadas.

Este prêmio é uma conquista importante, mas também um convite para que outras mulheres sigam esse caminho. O reconhecimento das mulheres indígenas no campo midiático demonstra que, além de ser uma ferramenta de resistência, a mídia pode ser um espaço de transformação e visibilidade.

O Empoderamento Feminino Indígena: Olhando Para o Futuro

O que essas conquistas representam vai além de simplesmente ocupar espaços que antes eram inacessíveis. Elas simbolizam o empoderamento das mulheres indígenas, uma força crescente que está moldando um futuro mais justo e inclusivo. Cada mulher que se destaca, seja na política, na mídia ou no ativismo, serve de inspiração para as próximas gerações. Josimara, Elizângela e tantas outras estão mostrando que, com coragem, determinação e união, as mulheres indígenas têm o poder de mudar a história.

Essas vitórias não são apenas para as mulheres que já chegaram lá, mas para todas aquelas que continuam trabalhando, resistindo e acreditando que o futuro também pode ser delas. Elas nos mostram que a luta por igualdade, visibilidade e autonomia é legítima, que o espaço conquistado hoje é apenas o começo, e que o impossível, para nós, não existe.

Foto: Reprodução

O Caminho é Longo, mas o Progresso é Inevitável

Apesar dos avanços, sabemos que ainda há muito a ser feito. As mulheres indígenas seguem enfrentando desafios imensos, tanto visíveis quanto invisíveis. Mas cada conquista, cada espaço ganho, é uma prova de nossa capacidade de mudar as estruturas. O reconhecimento de líderes como Sônia Guajajara, Josimara Baré e Elizângela Baré é um lembrete de que, apesar de todos os obstáculos, conseguimos ocupar lugares de destaque e trazer nossas demandas para o centro do debate.

Estamos fazendo as mudanças acontecerem. E, ao abrir esses caminhos, estamos não apenas conquistando o nosso espaço, mas também preparando o terreno para as futuras gerações de mulheres indígenas. A luta continua, mas agora, mais do que nunca, sabemos que estamos no caminho certo. O futuro é nosso, e ele está apenas começando.