
Pela primeira vez na história da participação das lideranças indígenas do Rio Negro nas conferências do clima da ONU, a delegação será composta majoritariamente por mulheres durante a COP30, um dos maiores eventos globais sobre mudanças climáticas, que ocorrerá em novembro, em Belém (PA)
A delegação indígena da região do Rio Negro, localizada no noroeste do estado do Amazonas, foi definida durante a etapa estadual da COParente, realizada em Manaus no dia 20 de setembro. O evento foi uma iniciativa do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) em parceria com a Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM) e funciona como uma prévia preparatória para a COP30. Antes disso, nos dias 16 e 17 de setembro, São Gabriel da Cachoeira sediou a edição regional da COParente, organizada pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), APIAM e MPI.
A delegação do Rio Negro será composta por seis representantes, incluindo mulheres que vêm ganhando protagonismo na luta pela defesa dos direitos territoriais e ambientais dos povos indígenas:
Sandra Gomes Baré
Dario Casimiro Baniwa, presidente da FOIRN
Hélio Gessem Tukano, diretor da FOIRN
Belmira Melgueiro Baré
Adelina Sampaio Dessana
Ana Gabriela Baré

Para Belmira Melgueiro Baré, uma das escolhidas para integrar a delegação, a participação das mulheres indígenas do Rio Negro na COP30 é um momento histórico e de grande responsabilidade.
“Até então, a gente não tinha participado, as mulheres das bases nunca tinham participado de uma COP. Inclusive eu nunca participei de nenhuma. A gente se sente muito empoderada nessa COP que vai acontecer no Brasil, em Belém. É uma COP que vai ficar para a nossa história como povos indígenas, principalmente como mulheres indígenas”, afirmou Belmira.
Ela destaca o protagonismo das mulheres já nas etapas preparatórias, como na edição regional da COParente, onde a região Caibarnix (Coordenadoria das Associações Indígenas Balaio, Alto Rio Negro e Xié) se destacou ao enviar várias mulheres para os debates e para a escolha da delegação estadual. Belmira ressalta que será uma oportunidade fundamental para dar visibilidade às pautas dos povos indígenas e, especialmente, das mulheres.
“Vamos aproveitar ao máximo para levar nossas vozes, para o mundo ver o quanto nós, mulheres indígenas, estamos sangrando quando nossa mãe terra, nossa mãe água, quando nossa floresta está sendo destruída. Nós também estamos sendo destruídas.”
A delegação do Rio Negro vai levar à COP30 suas contribuições aos debates climáticos a partir da vivência ancestral com os territórios, e as demandas e experiências que foram construídas ao longo dos anos como movimento indígena do Rio Negro e suas organizações.