
Janete Alves, vice-presidente da FOIRN, levou experiências do Rio Negro e destaca a importância da governança indígena e do manejo ambiental frente às mudanças climáticas
A Semana do Clima de Nova Iorque 2024, realizado entre 22 a 29 de setembro em Nova York, reuniu lideranças, organizações e especialistas de todo o mundo para discutir soluções frente às mudanças climáticas e à perda de biodiversidade. Entre os destaques do evento, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) marcou presença por meio de sua vice-presidente, Janete Alves, do povo Desana, que apresentou as experiências de governança indígena e manejo sustentável desenvolvidas na região do Rio Negro.
Em sua fala, Janete destacou o trabalho da FOIRN no âmbito do Projeto ForEco, programa voltado à economia florestal e ao fortalecimento de práticas sociobioculturais conduzidas por e para povos indígenas e comunidades locais.
“O ForEco valoriza nosso sistema agrícola tradicional, que garante a segurança alimentar e fortalece nossa cultura. Apoiamos e acompanhamos as iniciativas das associações de base, sempre incentivando o manejo ambiental, porque a floresta é vida para nós. Também levamos a urgência da crise climática que já nos afeta, e pedimos apoio para desenvolver estratégias de adaptação”, afirmou Janete.
A liderança também participou de debates sobre o mercado de carbono e REDD+, apontando os desafios enfrentados pelas comunidades indígenas do Rio Negro, especialmente aquelas em áreas de difícil acesso ou na fronteira. Ela fez um alerta sobre a necessidade de respeito aos direitos dos povos indígenas:
“Antes de qualquer proposta, as empresas interessadas devem respeitar nossos protocolos de consulta e promover o diálogo. Não podemos aceitar políticas públicas impostas de qualquer jeito. Precisamos compreender bem como tudo funciona para evitar impactos negativos no futuro.”
Painéis com protagonismo indígena
A participação indígena nos painéis da Semana do Clima evidenciou o papel essencial das comunidades locais na proteção do meio ambiente. Os temas abordaram desde modelos de governança e financiamento até os riscos de mercantilização das florestas sem a devida consulta e participação dos povos originários.
No primeiro painel, a RFN (Rainforest Foundation Norway) enfatizou o papel das ações locais para alcançar impactos globais, reforçando que modelos de governança indígena e financiamento comunitário são fundamentais para enfrentar a crise climática.
O segundo painel, sobre integridade social nos mercados de carbono, contou com a participação de Francisca Arara, do Acre, que compartilhou as experiências de seu estado, mas também expressou preocupações com a ausência de diálogo com os povos indígenas na implementação dessas políticas.
No terceiro painel, co-organizado pela RFN e pela Nia Tero, o foco foi a necessidade de respeitar os direitos indígenas nos projetos de créditos de carbono, diante do crescente interesse de empresas privadas nas terras indígenas.
Já o debate sobre o projeto ForEco da FOIRN destacou como a marca Wariró, apoiada pela federação, está promovendo o protagonismo das mulheres indígenas através do fortalecimento da produção agrícola, do artesanato e do ecoturismo, como caminhos para uma economia indígena sustentável.
Colaboração e respeito aos direitos
A Semana do Clima de Nova Iorque reforçou a urgência de reconhecer o papel central dos povos indígenas na luta contra as mudanças climáticas. As experiências compartilhadas, como as da FOIRN, mostraram que há caminhos sustentáveis e enraizados nos saberes tradicionais, mas que só podem prosperar com respeito aos direitos, escuta ativa e parcerias justas entre governos, empresas e comunidades.
Representações indígenas e indigenistas no evento:
- Janete Alves (FOIRN)
- Igor (RFN)
- Keila (AMIM)
- Jawaruwa Wajãpi (APIMA)
- Júlio (CNS)
- Talita (RCA)