IX Assembleia Geral Ordinária e Eletiva do DMIRN: Avanços e desafios para o futuro das Mulheres Rionegrinas

Nos dias 14 e 15 de novembro de 2024, a Casa do Saber da FOIRN foi palco de um evento importante para as mulheres indígenas do Rio Negro. A IX Assembleia Geral Ordinária e Eletiva do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN), com o poderoso tema “Mulheres Rio Negrinas Tecendo Estratégias de Cuidado e Resguardo em Tempos de Crise Climática”, reuniu 55 delegadas de diferentes regiões do Rio Negro e autoridades de destaque, todas unidas em torno de uma causa comum: a luta pelos direitos, pela saúde e pelo fortalecimento das mulheres indígenas. 

Este encontro foi muito mais do que uma reunião. Foi um momento de afirmação, de celebração das conquistas, planejamento e também de reflexão sobre os desafios urgentes que as mulheres indígenas enfrentam. A assembleia não só consolidou vitórias, mas também impulsionou novos projetos e propostas e planos que marcarão os próximos anos da luta feminina indígena no Rio Negro.

Mulheres que Inspiram: Entrega do Livro “Mães do DMIRN”

O evento teve início com um momento de grande importância simbólica: a entrega do livro “Mães do DMIRN”. Esta obra celebra as histórias de mulheres indígenas do Rio Negro, suas lutas, vitórias e o impacto gerado por suas trajetórias no movimento indígena. A coordenadora Cleocimara Reis, ao apresentar o livro, destacou a importância de valorizar as lideranças enquanto estão vivas, reconhecendo suas histórias e legados. O livro é uma homenagem a todas as mulheres que, com coragem e determinação, contribuem para a preservação da cultura e dos direitos indígenas. 

Avanços e Propostas para o Futuro 

A assembleia não se limitou a rememorar o passado. Ao contrário, foi um espaço para construir o futuro. Os debates e as deliberações apontaram para a necessidade urgente de estratégias de enfrentamento à crise climática, que afeta diretamente as mulheres, e para o fortalecimento da saúde, com especial atenção à alta taxa de câncer de colo de útero entre as mulheres indígenas. 

Entre as propostas mais impactantes, destaca-se a reivindicação pela criação da Casa da Mulher Indígena no Rio Negro, um projeto essencial para acolher e proteger mulheres vítimas de violência. Além disso, houve uma forte mobilização para garantir que as mulheres indígenas tenham acesso a profissionais mulheres nas equipes de saúde, facilitando a realização de exames preventivos de câncer, um tema importante durante a assembleia. Outro ponto crucial foi o fortalecimento da infraestrutura do DMIRN, com a solicitação de mais recursos financeiros, apoio logístico e a criação de um plano estratégico para garantir a continuidade das atividades do Departamento de Mulheres, que trabalha incansavelmente para atender as necessidades das mulheres em todas as regiões do Rio Negro mas que precisa de ainda mais apoio para que seja expandido e consiga suprir maiores demandas.

Eleição da Nova Coordenação: Renovação e Continuidade

Um dos momentos mais aguardados da assembleia foi a eleição para a coordenação do DMIRN, que resultou na reeleição de Cleocimara Reis, com 44 votos. Sua trajetória à frente do departamento, marcada por avanços significativos e um trabalho de articulação que envolveu diversas comunidades e organizações, foi reconhecida pelas delegadas presentes. As candidatas à coordenação, Erenice Gonçalves e Odimara Matos, também tiveram a oportunidade de se apresentar e defender seus projetos, contribuindo para o fortalecimento do processo democrático. 

A reeleição de Cleocimara representa uma continuidade de trabalho e compromisso com as demandas da mulher indígena no Rio Negro, mas também um novo capítulo para o DMIRN, que segue firme na sua missão de ampliar o alcance e a efetividade de suas ações. 

Reivindicações e Desafios: O que a Assembleia Propôs para o Futuro

Além da eleição, a assembleia discutiu amplamente as necessidades urgentes das mulheres indígenas, com propostas concretas para os próximos anos. Entre as principais reivindicações, destacam-se: 

– Fortalecimento das Articuladoras Regionais: A criação de mais suporte e recursos para as articuladoras nas cinco coordenadorias regionais, garantindo a elas as ferramentas necessárias para realizar seu trabalho fundamental. 

– Criação de uma Vice-Coordenadoria: A proposta de criação de uma vice-coordenadoria visa garantir maior representatividade e apoio à liderança do DMIRN. 

– Valorização das Tradições Ancestrais: A assembleia ressaltou a importância de respeitar e integrar as medicinas tradicionais e as práticas culturais no movimento, mantendo viva a identidade dos povos indígenas. 

– Apoio Logístico e Estrutura: Uma das principais preocupações foi a falta de infraestrutura e recursos para atender às necessidades das articuladoras regionais, como transporte adequado, equipamentos de trabalho e apoio administrativo. 

Além disso, a assembleia reafirmou a necessidade de políticas públicas focadas na violência contra as mulheres e em garantir a segurança alimentar e a saúde das mulheres indígenas, duas questões centrais que impactam diretamente o cotidiano das comunidades. 

A Força das Mulheres Rionegrinas: Um Chamado à Ação

A IX Assembléia do DMIRN foi um evento carregado de emoção e compromisso. Cada uma das 55 delegadas, com suas histórias e desafios, contribuiu para o fortalecimento do movimento feminino indígena. As decisões tomadas, as propostas formuladas e as eleições realizadas são passos importantes para garantir que as mulheres indígenas do Rio Negro continuem a avançar em sua luta por direitos, por saúde e por respeito.

E agora? A luta continua! O DMIRN está comprometido em transformar o futuro das mulheres indígenas do Rio Negro, e você pode ser parte fundamental desse movimento. Compartilhe nossos projetos e ajude a espalhar essa causa. Quanto mais visibilidade, mais força teremos para garantir nossos direitos. Juntas, podemos fazer a diferença e realizar melhorias concretas.