
Durante três dias de encontros, trocas e aprendizados, artesãs indígenas do Vale do Javari e do Rio Negro se reuniram em São Gabriel da Cachoeira–AM para o 1º Intercâmbio das Mulheres do Vale da Arte no Alto Rio Negro, realizado entre os dias 24 e 26 de setembro.
A iniciativa, organizada pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) – por meio do Departamento de Mulheres Indígenas (DMIRN) e do Departamento de Negócios Socioambientais – em parceria com a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA), contou com a participação de mulheres da Associação de Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (ASSAI) e de dez artesãs da Terra Indígena Vale do Javari, localizada no extremo oeste do Amazonas, na fronteira com o Peru.
O encontro teve como foco a valorização do artesanato indígena, promovendo a troca de técnicas, saberes e experiências sobre organização, produção e comercialização, além de estimular a autonomia e a geração de renda das mulheres. A programação incluiu oficinas práticas com fibras de tucum e coquinhos, diálogos sobre a importância cultural do artesanato e apresentações sobre a estrutura da FOIRN e da Casa Wariró, espaço de referência para a gestão e escoamento do artesanato no Rio Negro.

Para Luciane Lima, coordenadora do Departamento de Negócios Socioambientais da FOIRN, o intercâmbio fortaleceu laços e abriu novas perspectivas:
“Foi uma troca muito boa. As mulheres do Vale do Javari conheceram de perto o trabalho da Casa Wariró, seus processos de gestão e comercialização. Também se aproximaram da ASSAI, e essa parceria pode trazer ainda mais fortalecimento para o artesanato, mostrando que, unidas, as mulheres têm um grande potencial para avançar em seus espaços e conquistar novas oportunidades”, destacou.
Já Cleocimara Reis, coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN), ressaltou a importância do evento para a socioeconomia das comunidades:
“O artesanato sempre foi um dos pilares do nosso departamento. Esse intercâmbio trouxe não só a troca de saberes, mas também a valorização do trabalho das mulheres como fonte de renda e de fortalecimento cultural. Foi um momento de aprendizado coletivo e de inspiração para seguirmos unidas”, afirmou.
Mais do que oficinas e diálogos, o intercâmbio marcou a construção de redes de colaboração entre povos da Amazônia, ampliando a visibilidade do artesanato indígena e reforçando o protagonismo das mulheres na organização comunitária e política de suas regiões.