III MARCHA DAS MULHERES INDÍGENAS: Mulheres Biomas em defesa da Biodiversidade pelas Raízes Ancestrais 2023

Mulheres indígenas durante a marcha Foto: Reprodução

Nos dias 11 a 13 de setembro de 2023, um marco na luta das mulheres indígenas foi celebrado em Brasília, com a realização da III Marcha das Mulheres Indígenas: Mulheres Biomas em Defesa da Biodiversidade pelas Raízes Ancestrais. A Caravana das Mulheres Rionegrinas, organizada pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), partiu de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, com 41 mulheres, todas representantes das cinco regionais da FOIRN, incluindo lideranças, ex-coordenadoras e membros do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN).

O evento foi um grande encontro de culturas, saberes e resistências, reunindo mulheres de diferentes biomas do Brasil, como Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica e Caatinga, que marcharam em defesa da biodiversidade e das tradições ancestrais. A delegação do Rio Negro, composta por 33 mulheres, teve um papel crucial na partilha de suas experiências e desafios, destacando as questões ambientais, a proteção dos territórios indígenas e o fortalecimento do movimento feminino nas comunidades.

A Jornada Rionegrina em Brasília

A viagem da Caravana das Mulheres Rionegrinas começou no dia 3 de setembro, com a viagem de São Gabriel da Cachoeira até Brasília, passando por Manaus e outras localidades. Chegando à capital federal no dia 9 de setembro, as mulheres participaram de diversos eventos preparatórios, incluindo a Assembleia Eletiva da MAKIRA’ETA e o Lançamento do Livro e Site do DMIRN, que celebrou os 20 anos de conquistas e desafios do Departamento.

No evento, a delegação Rionegrina se apresentou com trajes e acessórios indígenas, cantando na língua Tukano em uma emocionante homenagem ao movimento das mulheres indígenas do Rio Negro. O livro “Mães do DMIRN” e o site recém-lançado servirão como importantes fontes de pesquisa e referência para as gerações futuras, registrando as lutas e vitórias das mulheres do Rio Negro.

A Marcha: Encontro de Biomas e Lutas Coletivas

A marcha começou oficialmente no dia 11 de setembro, com uma cerimônia que incluiu o rezo tradicional dos Crenack e as boas-vindas das lideranças. O evento foi marcado pela entrada das delegações por biomas, sendo o Bioma Amazônia representado pelas mulheres do Rio Negro, que entoaram cantos e danças tradicionais para celebrar sua cultura e história.

O evento também contou com trabalhos temáticos sobre temas urgentes, como emergências climáticas, reflorestamento, biodiversidade e a importância dos povos indígenas na preservação do meio ambiente. As mulheres do Rio Negro participaram ativamente das discussões, compartilhando suas realidades e reivindicações em busca de soluções para os problemas que afetam seus territórios.

Lançamento do Filme “Rionegrinas”

Outro momento importante foi o lançamento do filme “Rionegrinas”, que documenta a vida das mulheres indígenas do Rio Negro, seus desafios diários e seu papel fundamental na luta pela terra e pela preservação de sua cultura. O filme foi exibido no dia 12 de setembro, e a plateia se emocionou com as imagens que mostram a força e a resiliência dessas mulheres.

A Marcha Rumo ao Congresso Nacional

No dia 13 de setembro, as mulheres indígenas marcharam até o Congresso Nacional para entregar uma carta com as demandas de seus povos, como o fim da violência de gênero, a demarcação de terras e o acesso à educação. A caminhada foi um momento de resistência e união, com cada mulher trazendo sua voz para fortalecer a luta por direitos.

Mulheres durante a marcha Foto: Reprodução

Por que a Marcha das Mulheres é Importante para o Futuro?

A III Marcha das Mulheres Indígenas representa mais do que uma manifestação de resistência; ela é uma ação vital para o futuro dos povos indígenas e do planeta. As mulheres indígenas desempenham um papel central na preservação das florestas, das águas e das sementes que sustentam a biodiversidade. Elas são as guardiãs de saberes ancestrais que, se bem aproveitados, podem contribuir significativamente para o combate às mudanças climáticas e à degradação ambiental.

A marcha também destaca a importância de fortalecer as vozes femininas nas esferas políticas, sociais e ambientais. Ao ocupar espaços de poder e visibilidade, as mulheres indígenas têm o poder de influenciar políticas públicas que respeitem os direitos territoriais, a educação, a saúde e a segurança das suas comunidades. Esse movimento é fundamental para garantir um futuro mais justo e sustentável para todos, pois as mulheres indígenas, com sua sabedoria e coragem, são um pilar fundamental na luta pela preservação da vida em nosso planeta.

Além disso, a marcha é uma plataforma para que essas mulheres compartilhem suas histórias, seus desafios e suas vitórias, inspirando futuras gerações de líderes indígenas e criando um legado de resistência, união e força. Ao ser reconhecida nacionalmente, a luta das mulheres indígenas do Rio Negro e de todo o Brasil ganha o apoio de aliados e visibilidade, promovendo uma mudança significativa na forma como as questões indígenas são tratadas no país.

Avanços e Encaminhamentos

A III Marcha das Mulheres Indígenas gerou importantes encaminhamentos para a luta contínua dos povos indígenas, com destaque para o debate sobre a mineração nas terras indígenas, a violência de gênero e a importância de fortalecer o movimento feminino nas esferas política e social. As mulheres Rionegrinas também destacaram a necessidade de uma maior valorização das lideranças femininas nas comunidades indígenas e o compromisso com a preservação ambiental, um tema central na marcha.

O evento foi um sucesso, reafirmando a importância do movimento das mulheres indígenas na defesa dos direitos dos povos originários e da biodiversidade. A experiência foi marcada por momentos de união, celebração e, principalmente, resistência, com as mulheres do Rio Negro levando suas lutas para um palco nacional, deixando claro que sua força e determinação são vitais para o futuro da floresta e do Brasil.