Comunicadora da Rede Wayuri, marca presença no I Encontro Nacional de Comunicação Indígena em Belém

A comunicadora Imaculada Moreira, do povo Tukano, integrante da Rede Wayuri e da Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê (COIDI), foi a única representante dos comunicadores da região do Rio Negro no 1º Encontro Nacional de Comunicação Indígena (ENCI), realizado entre os dias 28 e 31 de agosto, na Casa Maraká, em Belém–PA. O evento, promovido pela Mídia Indígena em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas, reuniu 100 comunicadores de 62 povos de todos os biomas do Brasil para quatro dias de formação, articulação e construção de estratégias em preparação para a COP30, que será sediada em Belém em novembro de 2025.

A programação incluiu painéis, talk shows, oficinas práticas, exibições de cinema indígena e debates com lideranças sobre clima, cultura e comunicação. Entre os nomes de destaque estiveram a ministra Sônia Guajajara, a deputada federal Célia Xakriabá, a enviada especial da COP30 Sineia Wapichana e o coordenador executivo da APIB, Kleber Karipuna, além de comunicadores e pesquisadores indígenas de diversas regiões do país.

Em depoimento, Imaculada destacou o momento histórico do encontro e a importância de preparar a comunicação indígena para os desafios da crise climática:

“Participar desse primeiro Encontro Nacional de Comunicadores Indígenas foi muito gratificante e uma honra estar presente nesse momento histórico. Estiveram presentes mais de 100 comunicadores indígenas, 62 povos diferentes, onde tivemos oportunidade de dialogar para fortalecer e ampliar a comunicação indígena em preparação rumo à COP30, uma pauta muito importante referente às mudanças climáticas, que é uma preocupação para todos nós. Eu estive lá representando os comunicadores indígenas do Rio Negro, para mim foi muito gratificante e satisfatório”, afirmou.

Comunicadoras Ariane Wapichana, Imaculada Tukano e Mari Wapichana no I Encontro Nacional de Comunicadores Indígenas em Belém/PA.

Para a comunicadora, o encontro reforçou a necessidade de mobilizar e articular os comunicadores indígenas para que os territórios tenham visibilidade durante e após a COP30, com uma comunicação que dialogue com a sociedade e defenda os direitos dos povos.

O encontro foi sediado na Casa Maraká (Av. Nazaré, 630), novo espaço de mobilização cultural em Belém, que tem como madrinha a cantora Anitta. O local, com 120 anos de história, será oficialmente inaugurado em outubro e abrigará atividades permanentes até a COP30, como exposições, oficinas, cineclubes e encontros culturais voltados à valorização da comunicação e da arte indígena.

Com programação organizada em cinco eixos – memória e identidade; formação política e técnica; articulação de rede; estratégias para a COP30; e criação de campanhas de impacto – o ENCI marcou a consolidação de uma Rede Nacional de Comunicação Indígena.

Entre os momentos centrais, esteve a construção coletiva de um plano de cobertura colaborativa para a COP30, com estratégias de produção e logística que garantam o protagonismo indígena no debate climático global.

Segundo os organizadores, o encontro também celebrou os 10 anos do Coletivo Mídia Indígena, marco da comunicação indígena no Brasil. “Esse encontro representa a força coletiva dos povos indígenas na construção de suas próprias narrativas. É um espaço para fortalecer nossa voz, pensar estratégias conjuntas e afirmar que comunicação também é território de luta e de resistência”, afirmou Fly Tentehar, integrante da Mídia Indígena.